Deus, como as coisas / pessoas que pareciam eternas ou então eternamente fiéis, elas todas se quebram fácil. Então me chamou a rainha da vida, Solidão Maldita.
Já não sou tão criança, não tão criança assim, sei que há coisas para durar um tempo, e que esse tempo pode ser válido e até necessário. E há coisas que foram puro desperdício de vida e sabedoria. Nem para lição serviram. A linha muitas vezes é tênue: ao final o Bem, ao final o Mal: para quem, como, por quê?
Dá-me tua concha para que eu nela me omita. E assim me liberte no breu, e pense, mude, reflita. Agora estou uma rocha calcária querendo a pérola na solidão, clamando à solitude ingrata.
E, enquanto meus ouvidos gritam pelos gritos dos meus pais 70+ à 1h da manhã, eu me encolho como feto que nunca consegui deixar de ser na cama, e não sei quem sou.
Enquanto Deus perdoa, eu solamente posso tentar esquecer: não sou tão boa. Lidarei com minhas pústulas abnormais abertas todo dia, então talvez um dia eu esteja liberta.
Não, Deus, não!, não quero ser como meus pais, mas carrego um jeito deles de ser, e admiro meus pais: extremamente corretos; inevitavelmente gélidos. Funcionais.
Também não vou telefonar mais a ninguém; serei todas as minhas vozes.
Obrigada, adeus, nem sei por que, mas amém.
Leila Krüger 🌹
