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Café com dor, e fé com alguma dor.

Tudo pulsa, como sempre pulsará. Morre um imperador ou um mendigo, daqui não leva nada. Da pessoa célebre que se foi, ainda falarão, mas cada vez menos e com menos comoção. O que vale é permanecer no coração de quem ficou. Mas há existencialismos que não morrem:

Por que tanta gente boa sofre, e gente ruim prospera? Minha resposta: de alguma forma, por inextricáveis caminhos, tudo acontece como deve acontecer. Estou falando da sabedoria de Deus. Mas os maus pagarão, ainda em terra, ainda que ninguém veja, e que seu derradeiro registro seja um sorriso (amargo, vê bem). Ah, eles escondem sua infelicidade e seu vazio. Fazem isso porque são sempre covardes e gananciosos demais.

A vida é injusta aos injustos e pequeníssimos olhos humanos, na intrínseca limitação humana ante o Universo, a vida e a morte. Acredito, graças a Deus, que há muito além da fechadura da porta que regurgita a frealdade do aço descrente, e do escárnio roto, raso e medieval. Haja fé para não crer no sobrenatural; rezem ao Nada. Nada lhes responderá, exceto se forem traídos pela infâmia do invisível. Não sabemos quase nada do que não vemos.

E se for o Cristo, com a Trindade Divina, de quem você desdenha, conhecendo nem 10% de sua própria massa encefálica, e 4% do nosso Universo, e se for essa a força inteligente, incognoscível, sentimental, bondosa em uma sapiência inalcançável a nós, e for à nossa imagem e semelhança, que direis vós?

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