A página em branco intimida não pelo vazio físico, mas pelo excesso de possibilidades que ela representa. Sentar-se diante dela todas as semanas exige um recolhimento que poucas profissões demandam na atualidade, uma busca sincera por um silêncio interior que permita que as ideias finalmente tomem corpo.
A busca pela palavra lapidada
Escrever é, essencialmente, um exercício contínuo de corte e precisão. Cada parágrafo publicado neste espaço passa por um processo rigoroso de lapidação, onde o excesso de adjetivos é eliminado para dar lugar à força bruta das verdades simples que sustentam a crônica contemporânea.
Não se trata de buscar um vocabulário hermético ou inacessível, mas de encontrar o termo exato que desperte no leitor aquela sensação familiar de que ele mesmo poderia ter escrito aquelas linhas, caso tivesse parado para observar o mesmo detalhe urbano.
O encontro com o leitor distante
O processo de criação só se completa verdadeiramente quando o texto ganha o mundo e encontra os olhos de quem lê. É nesse instante que a solidão do escritório se transforma em comunhão, e as palavras escritas em Porto Alegre encontram abrigo em corações distantes, sem barreiras linguísticas.
Agradeço a cada um que escolhe caminhar comigo por esta travessia literária, valorizando o silêncio e o peso das palavras bem cuidadas que compartilhamos semanalmente. Escrito por Leila Krüger.
